Trabalho aceito no congresso Marxism and New Media

Eu e Rodrigo Savazoni tivemos um paper aceito no Congresso Marxism and New Media que vai acontecer na Duke University entre os dias 20 e 21 de janeiro de 2012. Rodrigo Savazoni and I got a paper accepted for the Marxism and New Media Conference @ Duke University (http://literature.duke.edu/conference2012) or (http://marxismandnewmedia.wordpress.com/schedule/)

abstract / submitted abstract:

MARXISM AND NEW MEDIA @ DUKE UNIVERSITY

The emergence of a decentralized form of activism in Brazil
Cicero Inacio da Silva (Software Studies, Brazil)
Rodrigo Savazoni (Federal University of ABC, Brazil)

keywords: New Forms of Collectivity,  Hacking and Hacktivism, Creative Commons, Open Access and Open Source Practices, and Virtual Property

The Occupy Wall Street movement is demonstrating that it is not through established and traditional forces that politics will reinvent and reinforce itself, but more likely through the action of a social group that we will call here “young technoactivists”, whose goal is to build new territories for technologically-mediated common social causes.
This paper will address four Brazilian networks that represent the expression of the Brazilian Zeitgeist related to Digital Culture and are connected to contemporary global movements: CulturaDigital.Br, the Transparency Hacker Network, MetaReciclagem and the Fora do Eixo Network.
The first (1) characteristic of these movements is that they result from arrangements which are not rooted in party structures, unions or social movements that have emerged in the past three decades (such as the Movement of Landless Rural Workers – MST – or even large association struggles for social and human rights). Rather, they are a kind of networked group of forces heavily influenced by the use of new information and communication technologies, which cannot even be called “organizations” in the traditional sociological sense.
Another important aspect (2) is that these groups are not attached to rigid ideological affiliations. Their brand is the action. They are ideologues of practice. One can try to understand them by looking for references in the libertarian left, where several of the principles of these social arrangements can be identified, but many of their participants would shy away from looting methods and symbols drawn from corporate culture. There is a strong connection with the anti-globalization movement (for another globalization) that spread in the late 1990s and 2000s), with the Global Days of Action of the World Social Forum. But that kind of “get together to change the world” alone does not explain what is happening.
If we look through our magnifying glasses, the image of the growing digital culture, which is forged from the emergence of the Internet and the popularization of personal computers (processes that started in the late 1970s), we can see that this culture gained momentum and assumed its most visible aspect with the arrival of the web in the 1990s. The Digital Culture is a culture based on recombination and collaboration that has spread across the planet and produced a short-circuit in economics, arts, media and, of course, politics.
Finally (3), another aspect of the articulation of these “young technoactivists” technologies is the search for the radicalization of politics and democracy, which are being gradually trapped by economic interests and the vacillations of traditional political representatives. Therefore, it is not a denial of the political movement, but rather a confrontation against the structures and representatives of this obsolete and outdated world.

CineGrid@Rio 2011

O CineGrid@Rio 2011 aconteceu no dia 15 de setembro. Durante mais de 10 horas, profissionais da área de cinema, computação, redes, políticas públicas para a cultura e do mercado puderam interagir com experimentos no campo das imagens ultra-definidas e também conhecer o que será o futuro das redes de comunicação e informação, com transmissões transcontinentais de filmes em super alta definição através de conexões que normalmente estavam a 10 Gbps, ou seja, dez mil vezes mais rápidas do que a velocidade que a média dos usuários possui no Brasil, que é de um mega. Como um dos organizadores do evento, creio que o resultado alcançado foi bastante positivo e que a comunidade conseguiu demonstrar os seus objetivos, que é pensar as novas imagens e enviá-las através de redes fotônicas de alta capacidade. O próximo passo é dar início aos trabalhos para o CineGrid@Rio 2012!

Veja as fotos aqui:

http://www.flickr.com/photos/leandroneumann/sets/72157627572714675/

CineGrid@Rio 2011 (preparativos)

Começaram os preparativos para o lançamento do CineGrid na cidade do Rio de Janeiro. Estamos eu, Ruan Gomes e Lucenildo Aquino Júnior, desde o dia 09 de setembro na PUC Rio preparando os materiais e a rede para transmissão de cinema de ultradefinição do LAVID de João Pessoa (UFPB, coordenado por Guido Lemos) para a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio.
No dia 15 de setembro transmitiremos a Avant-première do filme EstereoEnsaios através de uma rede de 10Gbps direto de João Pessoa para o MAM.
Imagens dos preparativos e do evento:
 

Veja os vídeos dos setups de servidores e projetores 4K (18.000 lumens) e da rede no Laboratório de TV Digital da PUC Rio e na Cinemateca do MAM (Rio de Janeiro):

A geração Z

Cicero Inacio da Silva

Sou da geração sem remuneração / E não me incomoda esta condição. / Que parva que
eu sou! / Porque isto está mal e vai continuar, / Já é uma sorte eu poder estagiar. / Que
parva que eu sou! / E fico a pensar, / Que mundo tão parvo / Onde para ser escravo é
preciso estudar. (Fado português “que parva que sou – geração à rasca” cantado pelos
estudantes durante protesto contra o desemprego em Portugal, 2011)

Na contemporaneidade, com o surgimento das tecnologias digitais e da comunicação massiva
através de redes, celulares, tablets, smartbooks, smartphones, o mundo do trabalho
respondeu rapidamente a essa nova realidade. Uma das questões que voltaram a circular
nessa era pós-mídia, na qual o conteúdo é gerado e absorvido pelos próprios consumidores, os
chamados “prosumidores” de informações, foi a de se tentar entender o que acontece em
termos geracionais. Nos anos 1950 o fotógrafo Robert Capa chamou de “geração X” as pessoas
nascidas depois da segunda guerra mundial que não mais aceitavam as regras morais dos pais,
eram rebeldes e que tinham relação direta com criatividade e liberdade. Já os nascidos em
meados dos anos 1970 até o início dos anos 1990 (geração Y) são influenciados pelas
tecnologias e pelo surgimento das redes digitais e a partir delas passa a existir uma outra
forma de comportamento que se deixa levar mais pela fluidez e pouca responsabilidade nas
tomadas de decisões. Diz-se que essa geração já nasceu em meio a inúmeras crises e diante da
dificuldade de pagar por seu sustento. Atualmente há em curso, segundo o que se vende na
mídia, uma revolução em torno dos hábitos da geração que já “nasceu digital”. O que se diz é
que os nascidos no início dos anos 1990 são extremamente conectados, carregam consigo
vários equipamentos e entendem da linguagem dos computadores quase que de forma
natural. Também são características a falta de paciência, a falta de ambição, a incapacidade de
se concentrar em tarefas que exigem aprofundamento e o desinteresse pelo trabalho
considerado “formal”, com normas e regras. São a geração: se eu precisar ficar até tarde eu
peço demissão agora. Esse comportamento tem sido louvado pelos donos das empresas de
tecnologia e pelos gurus das mídias e redes sociais. Essas grandes empresas de mídia vivem do
capital produzido por essa geração, pois obviamente elas nada produzem. Quem produz algo
para o Facebook é você e essa massa de “ousados” que vende sua alma a um sistema
gerenciado por outras pessoas e que precisa mais do que nunca que se estimule esse
comportamento ligado a uma “suposta” liberdade de se poder fazer o que quiser quando
quiser, pois ainda existe um campo de trabalho necessitado de pessoas que entendam de
alguns aspectos ligados às tecnologias. Em resumo, quando observamos o quanto recebe um
estagiário que trabalha em um Call Center, que digita dados em bancos, que opera à distância
as redes, sabemos que o seu salário não serve nem para cobrir as despesas com o seu próprio
transporte, quem dirá pagar o sustento de um curso superior. Essa geração louvada pelos
grandes grupos de mídia digital não se prende a regras nem empregos não porque é
descolada, mas sim porque suas perspectivas de futuro são nulas e as suas garantias ligadas ao
mundo do trabalho já desapareceram. A minha aposta para contradizer à apologia a essa
geração Z é: tripliquem o salário ou a renda e quero ver quem vai trocar a cada semana de
emprego. Mas como sabemos, se isso acontecer quebramos a espinha dorsal do sistema…é
melhor para o Facebook que você se ache feliz tendo um milhão de amigos que juntos não
conseguem nem mais comprar seus próprios aparelhos celulares para twittar a última notícia
sobre seu próprio infortúnio.

Publicado na Revista A3 da UFJF